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Artigo: Efeitos positivos do relatório do USDA no mercado da soja, por Alfredo Horing

Sobre o autor
  • Alfredo Horing, natural de Nova Ramada, é economista, especialista em Plano Diretor e possui MBA em Gerenciamento de Projetos.

Nesta quarta feira (08) o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América – USDA (sigla em Inglês) divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda para a safra mundial da soja, determinante na formação dos preços.

Confirmando algumas expectativas do mercado, sobretudo no que pese a safra da soja na Argentina por hora revisada mais uma vez para baixo. O Departamento prevê que o país venha a colher a segunda menor safra da historia, chegando a 33 mil/ton (milhões de toneladas), para uma projeção inicial de 51 mil/ton, queda de 18 mil/ton.

Para o Brasil a expectativa é que seja tirada dos campos a maior safra de soja que um pais tenha colhido 153 mil/ton. A safra mundial da oleaginosa caiu de 383,01 mil/ton para 375/15 mil/ton, enquanto os estoques caíram de 102,03 mil/ton para 100,01 mil/ton.

Apesar do preço no mercado interno estar pressionado com a entrada da nova safra, vedas antecipadas dos produtores garantem carregamentos dos navios com destino a Ásia e África para o trimestre, outro fator negativo para formação dos preços são gargalos logística para escoar e armazenar a produção, chegando em grande volumes aos portos (pressão negativa sobre o  prêmios). Porém acredita-se em um movimento sazonal e de curto prazo. Já no mercado internacional a queda no estoque mundial é fator determinante para a manutenção dos preços internacionais na ordem de US$ 33,50 a saca, preço médio estável.

Com o relatório apresentado fica cada vez mais visível que o Brasil será o único pais capaz de abastecer a demanda mundial. Com os atuais estoques, os Estados Unidos da América, (segundo produtor mundial da oleaginosa) terá que importar soja brasileira para manter o abastecimento interno, da mesma forma a Argentina (terceiro produtor mundial) que terá que buscar soja no Brasil para cumprir seus contratos de exportação de farelo e óleo. 

No momento que toda cadeia da soja olha para a produção brasileira, as ordens são de compra com preço atual “baixo”, todavia ocorre poucas vendas das origens (produtores). A oferta sazonal é a arma do comprador, como se fosse à única variável, mas não é.  A revisão da estimativa de safra global, a guerra na Ucrânia que promete novos capítulos, a cotação do dólar podendo chegar bem mais longe frente ao real, o crescimento da demanda externa e a disputa por acres de campo americanos soja x milho, serão fatores que poderá oportunizar novo rally nos  preços.

A colheita americana está prevista em 121 mil/ton entrando no mercado no último trimestre do ano, até lá a estratégia do produtor brasileiro no que pese seus riscos em segurando a oferta, prevalecerá no rumo dos preços internos.

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