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Artigo: O que pode mexer com o preço do trigo, por Alfredo Horing

Sobre o autor
  • Alfredo Horing, natural de Nova Ramada, é economista, especialista em Plano Diretor e possui MBA em Gerenciamento de Projetos.

A safra brasileira de trigo de 2022 foi a maior da história, segundo Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) chegou a 9,5 milhões de toneladas, cenário baixista para preços no mercado interno e um problema para o triticultor.

Com significativa pressão da oferta, preços no mercado interno literalmente derreteram no mercado interno em especial no Rio Grande do Sul, cotados a R$ 78,00 a saca, já no Estado do Paraná as principais praças praticam R$ 96,00.

O maior problema está no preço praticado no Rio Grande do Sul (RS), reduzindo a rentabilidade da atividade em meio a uma safra com os maiores custos de produção da história. Ocorre que no estado a oferta do cereal é maior que a demanda, estima-se que o consumo no estado é de 1,8 milhões de toneladas sendo necessários deslocar para o centro do país ou exportar mais de 3 milhões de toneladas que será um enorme desafio.

O atual preço está longe do que vinha sendo praticado no segundo semestre de 2022, quando o triticultor comercializava a saca acima de R$ 100,00. Na época os preços refletiam o aperto na oferta mundial e problemas logísticos causados pela guerra entre a Rússia (maior exportador mundial) e a Ucrânia (quarto maior exportador mundial). Outro fator que influenciou foi à quebra da safra de trigo no hemisfério norte em especial na Europa fortemente prejudicada pela ação climática. Com isso o trigo no mercado internacional aproximou-se de 370 dólares por tonelada.

Com a excelente safra brasileira em especial a do estado do Rio Grande do Sul (RS), que retomou o posto de maior produtor do país (4,97 milhões de toneladas), a indústria aproveitou-se da oferta sazonal adquirindo o produto para o processamento trimestral. Já os preços atuais travam novos negócios com o desinteresse de produtores em realizar novas vendas. Assim no primeiro mês do ano a comercialização caminha a passos lentos e preços estáveis.

A exportação de trigo poderia ser uma alternativa para melhorar o preço pago ao triticultor no mercado internos, segundo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) em 2023 o Brasil pode se tornar um importante player nas transações internacionais de trigo. Segundo pesquisadores do Cepea, atualmente o País é um grande importador, mas o setor nacional deve aproveitar as oportunidades postas diante da menor oferta argentina e dos problemas logísticos no Mar Negro e elevar sua participação nas exportações mundiais.

Da mesma forma, acreditamos que com a quebra da safra de milho no RS (por estiagem), haverá uma corrida para substituí-la pelo trigo na composição de rações, até a entrada da safrinha de milho no segundo semestre. Ainda se discute a utilização do cereal na produção de energia limpa “o etanol de trigo”.

Outro fator que pode contribuir é a valorização da taxa cambial. O dólar valorizado encarece a importação e deixa o cereal mais competitivo no exterior, assim sendo os lotes de trigo disponíveis serão disputados pelo exportador e o mercado interno.

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