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Artigo: Trigo volta a subir no mercado internacional!

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  • Alfredo Horing, natural de Nova Ramada, é economista, especialista em Plano Diretor e possui MBA em Gerenciamento de Projetos.

As apostas da recomposição dos estoques internacionais do trigo a partir de colheitas do cereal no Hemisfério Norte e uma possível solução do conflito no leste europeu, ficaram para trás. As colheitas não estão se confirmando e o conflito entre Rússia e Ucrânia está cada vez mais grave.

Há tempos alertávamos da dificuldade da recomposição dos estoques mundiais de trigo com o mundo caminhando para uma possível escassez no abastecimento. O financeiro prevalecia sobre a oferta e demanda, a especulação derrubava o peço do trigo internacional e no mercado interno. Todavia frustrações de safras e o recrudescimento do conflito armado começam a definir novos patamares nas cotações.

A crise entre Ucrânia e Rússia volta ser preocupação a nível global. No último sábado (08), um trecho estratégico da ponte que liga a Península da Crimeia ao território continental da Rússia foi destruído, a reação foi imediata pela Rússia com ataques aéreos contra cidades por toda a Ucrânia, incluindo áreas distantes das frentes de batalha, como a capital Kiev. Os ataques são os mais amplos desde o início do conflito.

Com o fato o preço do trigo internacional foi puxado para cima, fazendo com o bushel de trigo (27,27kg), ultrapassa a US$ 9,00 em todas as posições na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Contratos de dezembro que são parâmetros para nova safra americana foi negociado a US$ 9,44/bushel, com valorização de 7,24% frente ao fechamento anterior, isso coloca a tonelada métrica do trigo a 345 Dólares, segundo Rural Business o maior preço visto para outubro em 15 anos. 

O mercado precifica fatores ligados ao abastecimento, além das safras aguardadas não se confirmarem há grandes possibilidades de Wladimir Putin segurar a oferta de trigo tanto no corredor Turco usado pela Ucrânia para exportar seus cereais (4º exportador mundial) como também controlar a oferta de trigo russo maior exportador mundial. Segundo Departamento de Agricultura Americano (USDA), para não haver problemas no abastecimento global o mercado aguarda exportações da Rússia na ordem de 44 milhões de toneladas na safra 22/23. Lembrando que o presidente russo gerencia a exportação de trigo e petróleo como armas de guerra contra as sanções do ocidente, com claro objetivo de alcançar seus propósitos na Ucrânia.

No Brasil a corrida eleitoral ao Planalto está entrado na reta final. A taxa cambial vai acompanhar níveis de especulação sobre a politica econômica a ser adotada pelo mandatário nacional, o resultado eleitoral tradicionalmente pressiona o câmbio. Sazonalmente a entrada da safra no Sul do país influencia os preços internos, porém o mercado exportador vai enxugar rapidamente a oferta, isso se confirmando o preço do trigo terá comportamento atípico no período.  A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estima que serão tiradas dos campos brasileiros 9.16 milhões de tonelada de trigo, se confirmada será a maior safra de trigo brasileira.

A disputa pelos lotes de trigo ofertados pelo exportador e mercado interno será positiva ao triticultor. Todavia há de se observar variáveis que direcionam preços no mercado interno, como a cotação do Dólar e a necessidade de caixa do triticultor em vender seu produto pela cotação oferecida.

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