Alfredo HoringArtigos

Mau humor dos mercados com dados da maior economia do mundo

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  • Alfredo Horing, natural de Nova Ramada, é economista, especialista em Plano Diretor e possui MBA em Gerenciamento de Projetos.

A crise global caracterizada pela crise de oferta e da acumulação agressivo do capital, já conhecida nas economias emergentes com inflação alta e estagnação econômica passa a atingir as economias trilionárias. Os Estados Unidos da América, a maior economia do planeta, sente os efeitos da paralisia da economia doméstica e com a inflação.

Com a queda de dois trimestres consecutivos em valores nominais do Produto Interno Bruto (PIB) registra-se a uma possível recessão técnica. A estimativa de um PIB nominal para 2022 de US$ 25,45 trilhões foi revista em agosto para US$ 24,88 trilhões.

O PIB norte-americano está sendo pressionado pela inflação no país que alcançou o maior patamar em 40 anos, pela elevação das taxas de juros e pela contínua pressão sobre as cadeias de suprimento (oferta). Mas a conclusão geral com os dados é de que a economia americana ainda é estimulada pelos gastos do consumidor (dinheiro no bolso), dissipando temores de que uma recessão esteja em andamento.

Nesta terça feira (13), foi divulgada a inflação para os consumidores americanos no mês de agosto, que mexeu com os mercados globais. A alta no acumulado de doze meses é de 8,3%, fazendo com que o dólar literalmente disparasse frente a outras moedas. No Brasil a moeda americana apreciou 1,79% vendida a R$ 5,18. Automaticamente houve reversão nas cotações das commodities agrícolas, metálicas e petróleo e um tombo nos ativos na Bolsa Brasileira a B3 que caiu 2,30%.

O sentimento dos investidores é que a persistência da inflação em alta nos EUA sugere uma forte alta nas taxas de juros já nas próximas atas do Federal Reserve – FED (Banco Central Americano). Com a elevação das taxas de juros haverá fuga de divisas de países emergentes, para rendimentos seguros (juros americanos). As taxas de juros cada vez maiores tendem a concentração do capital e uma queda ainda maior nos investimentos.

A alta dos juros americanos não favorece a economia brasileira no momento que os efeitos da crise pandêmica e da guerra Rússia x Ucrânia pareciam terem ficado para trás. A valorização da moeda americana pode recrudescer a inflação com a valorização dos produtos dolarizados, adiando a estabilização das taxas SELIC em 13,75%. Por outro lado os investidores tendem a buscar economias fortalecidas com taxas de retorno seguras, fator que enxuga a oferta de moeda doméstica, tornando o dinheiro escasso e caro.

Quando tudo indicava que teríamos um fôlego com a recuperação da economia brasileira, com mais dinheiro em circulação (bolso), queda nos preços dos produtos básicos e combustíveis e o fim da política de taxas de juros reais, o mau humor vindo da economia americana tende a retardar esse movimento. 

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