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O ensino híbrido na educação infantil, por Ieza Desbessel Tuzen

EDUCAÇÃO INFANTIL UM OLHAR SENSÍVEL

A educação infantil tem como objetivo central a interação entre as crianças, adultos, objetos e espaços, mas como garantir essa interação de modo geral em casa? Essa com certeza foi a maior pergunta já feita na história da educação infantil. Em uma escola de pequenas infâncias o tempo é crucial para tudo, ele auxilia na rotina, nos aprendizados, nas relações e nas vivências, e o tempo dos inícios é o que mais necessitamos prestar atenção para conhecer esse novo ser que se faz presente no mundo.

Como de praxe a educação infantil faz por um longo tempo a adaptação das crianças pequenas, respeitando seus limites, mostrando aos poucos novos espaços e novas pessoas, respeitando seu tempo de silêncio e seu tempo de choro, no início tudo é novo e necessita de tempo para experimentar, tocar, sentir, ver e ouvir.

Esse tempo nos foi tomada muito rápido esse ano, quando tudo se alinhava para iniciarmos novos caminhos de aprendizagens e descobertas, tivemos que nos reinventar muito rapidamente. E essa reinvenção não era tão simples assim, como manter o vínculo afetivo com os bebês e crianças pequenas à distância? Essa era outra pergunta que nos fez ir em busca de muitas respostas, respostas estas que não existiam, pois não é como um bolo que se segue uma receita e tudo vai se formando, estávamos paradas na frente de um cais olhando para o mar aberto e sem nenhum barco à vista.

O fazer pedagógico nas infâncias é diferenciado de outras níveis de ensino, é necessário ter um olhar atento, uma escuta sensível, uma percepção sem igual para poder tomar nota de tudo que ocorre com cada ser, com o grupo, com os objetos e com o espaço e esse olhar não seria direcionado diretamente para as crianças, agora estávamos distantes e precisávamos buscar novas formas de ver o vivido.

Mas como tudo precisa se adaptar fomos em busca de novos caminhos metodológicos, e o primeiro era mostrar para as famílias como era necessário e importante manter o vínculo ativo, mostrar aquilo que nossos olhos não conseguem ver com essa distância. As famílias se tornaram ainda mais essenciais para o processo de aquisição de novas aprendizagens, os registros se tornaram fontes importantíssimas, fotos, vídeos, áudios e relatos por escrito auxiliam muito aos professores na interpretação de como cada criança pequena conseguiu manipular, brincar, explorar e interagir com a ação ofertada.

Cada detalhe enviado auxiliou a escuta sensível do professor, podendo assim enriquecer cada vez mais os processos, dando suporte para novas aprendizagens, enviando ações que dessem continuidade a cada aprendizagem desenvolvida. Segundo Shonkoff, (2016), “o cérebro faz ligações entre os neurônios em uma velocidade impressionante, o cérebro faz de setecentas a mil conexões novas a cada novo segundo.” Dar reforço a essas rotas já criadas faz com que a criança potencialize ainda mais as conexões neurais e fixe esse saber, dando assim suporte para que após essa fixação ela possa criar novos conhecimentos a partir do já vivenciado.

As ações foram se modificando ao longo deste tempo, percebendo o quão necessário era pensar em momentos que contemplassem a família, os espaços e os objetos que ali estão disponíveis. Quando pensamos em educação infantil nos vem à mente espaços encantadores, materiais diversificados, caixas para subir, descer, pular, cordas, bolas, objetos da natureza, terra, arreia, pinhas, paus, rolinhos… entre outros. Mas sabemos que esses objetos e espaços fazem parte da escola e não da casa, e desta forma é necessário que se faça essa oferta as famílias, assim auxiliando os bebês e crianças pequenas, a terem o material necessário para se desenvolver e buscar novas experiências.

Não somente ter os materiais e preparar os ambientes auxilia para novas aprendizagens, mas o adulto necessita deixar que a criança manuseie, observe e explore sozinha, que ela mesma possa criar e recriar quantas vezes necessário para poder compreender aquele objeto. Desta forma o adulto passa a ser mais observador e a criança é dona da ação.

As famílias se reinventaram, foram em busca de compreender esse processo e assim tornaram o ambiente de casa em ambiente de saber, de descoberta, de aventura e de busca pelo desconhecido. Cada detalhe pensado, cada forma de organização, cada momento em família realizado potencializou ainda mais as aprendizagens, pois o afetivo estava presente em cada ação realizada, o vínculo da família com a criança se tornou único e mais forte, tornando assim a aprendizagem muito mais significativa.

Na atualidade a criança necessita sentir o mundo com todo seu corpo, vivenciar e apreciar os detalhes tendo como suporte o tempo a harmonia e silêncio. A infância é um tempo único que precisa ser respeitado, deixando que a criança possa criar suas próprias experiencias, que ela possa descobrir o novo com os seus olhos, suas mãos, seu corpo.

É através de um trabalho continuo e em equipe que podemos construir essas possibilidades, montar estratégias e buscar novos caminhos para potencializar cada vez mais as aprendizagens das infâncias, a família é o foco central, e necessita estar presente juntamente com o corpo docente, deste modo andando juntas e construindo um caminho solido e rico em afeto e respeito.

Por: Ieza Dessbesell Tuzen
Diretora na EMEI Pedacinho de Gente – Ajuricaba – RS

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