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Medicamento para tratamento de câncer roubado em Minas Gerais é encontrado em hospital de Ijuí

Carga, que foi roubada em outubro, foi vendida para a instituição gaúcha por uma distribuidora do Rio de Janeiro. Duas pessoas foram presas

Dois funcionários do Hospital de Caridade de Ijuí, no Noroeste do estado, foram presos em flagrante por suspeita de receptação qualificada, na noite de sexta-feira (1). De acordo com o delegado Tiago Baldin, responsável pela investigação, dois de três lotes de medicamentos para câncer, roubados em Minas Gerais, foram encontrados no hospital.

A instituição é referência em tratamento e pesquisa em câncer no Rio Grande do Sul.

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“É uma questão mais que criminal, mas de saúde pública, já que eram destinados a pacientes do SUS, de baixa renda e pouca instrução”, explica o delegado.

Foram presos a diretora financeira e o coordenador e compras da instituição durante uma operação da polícia no Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) do hospital. No local, foram apreendidas 100 caixas do medicamento, e uma nota fiscal no valor de R$ 609 mil. Os dois foram soltos, após pagar fiança, na manhã deste sábado (2).

Em nota, a diretoria do Hospital de Caridade de Ijuí informou que foi surpreendida com o fato. A instituição se colocou à disposição das autoridades e comunicou que está fazendo todos os esforços para mostrar que a compra foi regular. Além disso, nega qualquer insinuação sobre o envolvimento do hospital em roubo de cargas de medicamentos.

Carga roubada

Segundo a investigação, a carga foi roubada no dia 17 de outubro na BR-116, em Muriaé, em Minas Gerais. Homens armados teriam abordado o motorista, que transportava os medicamentos em um caminhão refrigerado, e colocado os remédios em outro veículo.

A carga do caminhão estava avaliada em mais de R$ 1 milhão. Cada ampola custa R$ 9 mil.

“Investigação foi rápida para evitar que os remédios roubados fossem aplicados em pacientes. Depois do roubo, nada garante que foram mantidos refrigerados e acondicionados apropriadamente”, contou ao G1 o delegado.

Cada caixa tem um selo holográfico, com isso a farmacêutica proprietária da carga pôde rastrear e identificar os medicamentos. Primeiro eles foram encontrados em uma distribuidora não credenciada em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, que vendeu para o hospital de ijuí, em 31 de outubro.

Todas as unidades do medicamentos foram lacradas, interditadas e guardadas em uma geladeira. Um juiz deve decidir o que será feito com elas.

Segundo a polícia, não há indícios de participação de outras pessoas da administração do hospital no crime. Se comprovadas as denúncias, o crime de receptação criminosa prevê pena de até oito anos de prisão.

“Os dois autuados têm mais de 30 anos de prestação de serviços no setor de compra e financeiro do Hospital de Caridade de Ijuí. Eles têm todas as condições, e a obrigação legal, de se certificar e se revestir de todas as cautelas necessárias para que toda, e qualquer compra, seja adquirida de forma regular”, disse.

Duas pessoas foram presas em flagrante por suspeita de receptação qualificada. — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Nota do Hospital de Caridade

A Diretoria da Associação Hospital de Caridade Ijuí, foi surpreendida com o fato ocorrido, na noite de sexta-feira, quando a Polícia Civil esteve no setor de farmácia da Instituição, na busca de medicamentos, supostamente roubados no interior de Minas Gerais.

A Instituição está envidando todos os esforços no sentido de demostrar a regularidade da operação de compra dos referidos medicamentos. Ao mesmo, tempo a Diretoria da Casa Hospitalar se coloca à disposição das autoridades, para auxiliar nas investigações e refuta qualquer tipo de insinuação sobre envolvimento da Instituição em roubo de cargas de medicamentos, pois sempre fez as aquisições com respaldo legal, pautada em cotações públicas, visando o melhor preço e qualidade dos produtos, de empresas regularmente cadastradas.

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Fonte
G1
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