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Artigo – Jean Bertollo: Comunicação Não-violenta

Acontece muito de nos chocarmos com cenas de violência em vídeos compartilhados pelas mídias, ou mesmo numa cena ao vivo. O que não paramos pra pensar é que praticamos violência diariamente, com as pessoas que amamos e que nos são de valor.

A violência que não vemos é a das palavras, a violência emocional, a raiva. Não reconhecemos essa violência, por ela não “aparecer fisicamente”, mas isso não significa que ela não traga danos. Pelo contrário, como é mais imperceptível, acabamos cometendo muito mais abusos pela via verbal/emocional do que pelas vias físicas.

Segundo Marshall Rosemberg, criador do método de comunicação não-violenta, ensinamos violência para as crianças desde pequenas. Basta pensar nos desenhos animados e filmes de heróis. Sempre há um vilão que é espancado/morto/derrotado por estar errado.

Dicas para comunicar de forma não violenta:

Não mencione só a reação/comportamento do outro.

Fale sempre mais sobre você. Em vez de dizer que a pessoa tem de fazer assim ou assado, diga como você se sente quando tal coisa acontece. Exemplo: “Você deveria ter limpado o jardim” “Fiquei triste pois achei que iria limpar o jardim”.

Não critique. Coloque o foco em você.

Fale sempre mais sobre você. Em vez de dizer que a pessoa tem de fazer assim ou assado, diga como você se sente quando tal coisa acontece. Exemplo: “Você deveria ter limpado o jardim” “Fiquei triste pois achei que iria limpar o jardim”.

Não fale sobre o que está errado, mas sobre o que você precisa.

Ao invés de atacar o ego da pessoa mostrando tudo o que não está bom, fale o que você precisa ou o que você pensa ser necessário para melhorar a situação. Fale de um modo claro e sem rodeios o que precisa ser feito/mudado, mas de um modo ameno.

Peça o que você quer, não o que você não quer

Se você quer que a pessoa faça alguma coisa, diga, expresse isso em forma de sentimentos ou necessidades. Muitas vezes as pessoas comunicam somente o que não querem que a pessoa faça. A pessoa atende o pedido, mas acaba fazendo outras coisas que também acabam caindo no grupo das “coisas que não quero”. É muito mais fácil e rápido dizer o que se quer, de fato, ao invés de ficar alimentando joguinhos.

Peça para a pessoa repetir pra confirmar se ela entendeu

Quando você fala algo sério ou delicado, é muito útil perguntar pra seu ouvinte se ele entendeu de fato o que você quis dizer. Caso você não faça isso, estará dando margem para ruídos e mal entendidos que podem acabar agravando o problema que você estava tentando resolver. Quanto maior a carga emocional do que está sendo conversado, mais essa técnica é útil e necessária.

Repita o que a pessoa disse pra ter certeza de que você entendeu

Da mesma forma, quando você ouve alguém, pode acontecer de você pensar ter entendido perfeitamente o enunciado, mas seus vieses e preconceitos podem ter influenciado no entendimento da mensagem. Repita o que você acha que a pessoa disse, e pergunte se ela confirma ser mesmo isso o que ela quis dizer. Quanto maior a carga emocional do que está sendo conversado, mais essa técnica é útil e necessária.

Foque na necessidade do outro e não no que ele pode estar pensando

Não tente ficar combatendo os pensamentos da pessoa, racionalizando suas respostas e tentando achar lógicas e falhas argumentativas. Quando as pessoas discutem, geralmente estão tentando expressar alguma necessidade, algum desejo/anseio/dor. Coloque toda a sua atenção em tentar ouvir e acolher a necessidade/anseio da pessoa, e esqueça os bate-bocas argumentativos. Deixe esse tipo de conversa pra ocasiões em que a carga emocional não está tão alta.

Diferencie Pedido de Exigência

Quando uma pessoa pede algo, está demonstrando uma necessidade, mas também está mostrando respeito pela outra pessoa — pois esta pode aceitar ou não aceitar fazer o que está sendo pedido. Isso não acontece quando exigimos algo. Quando impomos nossa vontade, acabamos anulando a vontade e o poder de decisão do outro. A pessoa só tem, nesse caso, duas saídas: submeter-se à exigência ou rebelar-se a ela. Dos dois modos o resultado é ruim. Se a pessoa se submete, seu ego ficará ferido e seu sentimento de autonomia ficará muito baixo. Se a pessoa se rebelar, sentirá culpa ou remorso. É importante expressar as coisas me forma de pedidos, e deixar bem claro que a pessoa tem a liberdade de não fazer o que foi pedido. A pessoa estará mais propensa a fazer algo se entender que ela tem liberdade de escolha.

Pare de julgar

Julgamentos são expressões trágicas e mal feitas de nossas necessidades insatisfeitas. Tente observar mais, solicitar mais, e julgar menos.

 

[our_team image=”https://ajuricaba.com/wp-content/uploads/2019/01/Jean-Bertollo-sobre.jpg” email=” jeann1984@hotmail.com” phone=”(055) 9-9147-8099″  style=”vertical”]Jean Alessandro Bertollo nasceu em 1990, formou-se em Psicologia pela Unijuí em 2018, concurseiro e amante dos estudos. Interessado em comportamento humano, psicologia aplicada ao trabalho e gestão e aprimoramento pessoal, aprendizagem e cognição. Escreve semanalmente para Folha de Ajuricaba, Jornal Ramadense e Ajuricaba.com
https://medium.com/psicologiadocotidiano[/our_team]

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