Artigo – Jean Bertollo: Cometendo sempre os mesmos erros?

Quando nos comprometemos piamente com alguma coisa geralmente estamos debaixo de uma grande dor. Nesse momento, fazemos promessas e juramos nunca mais fazer isso ou aquilo. Tomamos decisões racionais e refletimos sobre como aquele comportamento nos faz mal.
Enquanto a dor é grande, tudo está tranquilo, pois temos uma grande motivação pra permanecer na luta pela mudança. O problema é quando para de doer tanto e o novo comportamento ainda não está consolidado. Aí, não tendo mais o estímulo para mudar (a dor) começamos a cair no mesmo comportamento novamente, aos poucos.
Lembro-me de um exemplo meu. Às vezes, quando saia com alguns amigos, há alguns anos, alguém dava a ideia de tomarmos vinho. Eu nunca lembrava que o vinho me causava uma enorme queimação no estomago, então eu tomava um gole e parecia que tinha engolido fogo. Por que eu não lembrava antes de tomar? Por que não lembramos que aquela comida nos deixa mal, ou que aquela pessoa nos faz ficar tristes? Por que somos tão míopes em relação ao que nos fará mal? Sabotamos-nos pela falta de memória? Acho que sim (em muitas vezes). Em outras, pela falta de autocontrole – que é tema pra outro texto -.
Precisamos lembrar-nos das nossas decisões, das nossas metas, das nossas promessas. Na maior parte das vezes nós simplesmente esquecemos. Também, não é fácil lembrar-se de algo, visto que somos bombardeados o dia todo por memes, figurinhas do Whatsapp (essa é nova), notificações do Facebook, e-mails, bom dias e boa tardes e boa noites dos grupos no Whats em que estamos participando. Nossa memória de trabalho é algo muito limitado. E estamos sempre sendo interrompidos.
Se não lembrarmo-nos de um comportamento, ele nunca será consolidado. Se não nos lembrarmos de uma atitude, ela nunca será frequente. O que lembramos mais sempre nos influência (o chamado efeito de viés de disponibilidade). Sempre lembramos mais do negativo, do ruim e do defeito. Precisamos ter um sistema que nos lembre do lado bom, das metas, das decisões de “nunca mais”. Precisamos, em suma, lembrar-se da dor que aquele comportamento ruim vai nos causar. E precisamos lembrar-nos disso antes, e não depois de cometer de novo o mesmo erro.
[our_team image=”https://ajuricaba.com/wp-content/uploads/2019/01/Jean-Bertollo-sobre.jpg” email=” jeann1984@hotmail.com” phone=”(055) 9-9147-8099″ style=”vertical”]Jean Alessandro Bertollo nasceu em 1990, formou-se em Psicologia pela Unijuí em 2018, concurseiro e amante dos estudos. Interessado em comportamento humano, psicologia aplicada ao trabalho e gestão e aprimoramento pessoal, aprendizagem e cognição. Escreve semanalmente para Folha de Ajuricaba, Jornal Ramadense e Ajuricaba.com
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