Educação

Alunos de Nova Ramada têm palestra sobre a cultura do povo indígena Kaingang

Na terça-feira, dia 25 de abril, esteve em Nova Ramada a indígena Laisa Erê Kaingang, da reserva do Guarita, falando sobre o índio no contexto atual da sociedade. Ela palestrou aos alunos das escolas Dom Pedro I e Roberto Löw. Laisa, formada em biologia pela Unijuí e especialista em educação pela UFRGS, acompanhada de seu esposo Marcos, iniciou sua fala situando os alunos de quem são os indígenas no Brasil e que toda sua explanação se refere ao povo Kaingang, de quem faz parte.

Laisa colocou que toda a educação inicial do seu povo é realizada por professores indígenas nas dez escolas existentes e que, nos anos finais e ensino médio, também há indígenas professores, mas não em número suficiente para atender toda a demanda nos diferentes componentes curriculares. A língua Kaingang, o artesanato, a dança e a culinária tem atenção especial nas aulas.

O alimento é um símbolo de união entre os Kaingangs. Através do alimento demonstram o respeito, a receptividade, a alegria com o próximo. Um dos pratos oferecidos é o Fuá (erva que os agricultores passam secante para matar), como também o Côco (coquinho esmagado), a batata-doce e o Pisé (a partir do milho torrado).

Os Kaingangs se dividem em duas famílias, os Kamé e os Kajru, duas metades opostas que se complementam. Os Kamé têm o grafismo aberto, são considerados mais bravos. Já os Kajru têm o grafismo fechado, são considerados mais serenos. Estas duas metades servem para as famílias, os rituais, o artesanato, os casamentos, enterros, animais e plantas, remédios, noite e dia.

No casamento nenhum filho segue a mãe, ou seja, continuam a origem familiar do pai. Quando casam (e se casam bem jovens) sempre vão morar perto da casa do sogro. Em caso de separação é sempre a mulher a mais penalizada e o pior castigo é ser transferida para outra aldeia.

Laisa encerrou sua fala dizendo o quão ainda é complicado na relação dos índios com a sociedade, principalmente nos municípios vizinhos a terras demarcadas e do preconceito visto, por exemplo, descaradamente em redes sociais, os chamando de vagabundos, intocáveis. Afirma que seu povo é como qualquer povo que tem suas relações sociais, que vivem em casas, que andam vestidos (até porque a região sul é muito fria), que trabalham, que usam celular, usam internet e que procuram manter os seus rituais e que querem viver em harmonia com outros povos.

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